Em um ano de pandemia, as pessoas vivenciaram uma série de sentimentos: intensificação do sofrimento psíquico, do desamparo pela situação econômica, aumento abusivo das drogas e álcool, falta de leitos nos hospitais, desafio de conciliar o home office e os afazeres domésticos, além de atual cenário político e de desemprego no país. 

Contudo, o coronavírus não é o único fator. Vale ressaltar que, mesmo antes da pandemia, os dados sobre afastamento e adoecimento no trabalho já apontavam para resultados alarmantes. A pandemia afetou não só a saúde mental dos adultos, mas também das crianças e adolescentes. Aulas on-line, distanciamento social e o excesso de telas causam sintomas como irritabilidade, mudanças de humor, insônia, dificuldade de concentração, que podem ser fáceis de se identificar em adultos, mas apresentam diversas nuances entre as crianças. 

Um dos grandes desafios impostos pós-pandemia é a criação de políticas públicas que desenvolvam formas adequadas de prevenir uma nova onda de problemas de saúde mental com estratégias de combate e tratamento às doenças crônicas e transmissíveis, como retirar o estigma dos transtornos mentais e tratá-los como as demais doenças.  Recursos tecnológicos não têm faltado para encurtar as distâncias causadas pelo isolamento social e ajudar a preservar a saúde mental.  

Até os profissionais de saúde, que são treinados para lidar com desastres e situações de crise, tiveram sua saúde mental testada ao limite com a perda de tantas vidas em um curto período. Isso se deu pela exposição a mortes em larga escala e frustração por não conseguir salvar vidas. Soma-se ainda o distanciamento de seus familiares e amigos, o medo de ser o transmissor do vírus para pessoas próximas e a sobrecarga e fadiga a que foram submetidos. “É preciso desconstruir crenças e valores arraigados na área da saúde, de que os profissionais devem ser incansáveis, de que são imunes ao adoecimento, não podem mostrar ‘fraquezas’ e devem dar conta de tudo”, explica a coordenadora da Unidade de Psicologia do Hospital Sírio-Libanês Daniela Achette. 

Para cuidar do atendimento à saúde mental no Brasil é necessário: 

  • Forças-tarefa formada por governos municipais, estaduais e o Ministério da Saúde reunindo especialistas para melhorar a capacidade de atendimento, com base nos estudos já realizados, e achatar a curva dos problemas relacionados à saúde mental;
  • Prever a possibilidade de contratação de profissionais - psicólogos e psiquiatras - para ampliar o atendimento à população que depende do Sistema Único de Saúde;
  • Capacitar médicos clínicos, enfermeiros e agentes de saúde porque muitas demandas relacionadas à saúde mental podem ser resolvidas numa unidade básica de saúde;
  • Criar estratégias para desmistificar a questão da saúde mental e o acesso aos profissionais. Adoecimentos psíquicos ocorrem em todas as classes sociais. 
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